quarta-feira, 18 de março de 2009

Até que enfim um ato sensato!!!


O projeto de lei que cria cotas nas universidades federais poderá sofrer mais uma alteração no Senado. Um grupo encabeçado pelo presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), senador Demóstenes Torres (DEM-GO), quer apresentar um voto em separado na CCJ, retirando da proposta o artigo que reserva parte das vagas para estudantes negros e indígenas. Com a alegação de que criaria uma divisão racial no País, os senadores querem retirar das cotas um artigo exatamente igual ao que foi aprovado há quatro anos na lei que criou o Programa Universidade para Todos (ProUni). "Atemoriza a possibilidade de dividirmos o País. Já começa a desagregação aqui. Acho que é um risco fomentar a desigualdade racial. Precisamos nos preocupar com o pobre, seja negro ou branco", defendeu Demóstenes, em audiência pública na comissão sobre o assunto.

O relatório da senadora Serys Slhessarenko (PT-MT) mantém o projeto exatamente como veio da Câmara. A proposta prevê que metade das vagas das universidades federais e das escolas técnicas federais seja reservada para alunos oriundos de escolas públicas. Dentro desses 50%, metade seria reservada para estudantes que, além de estudarem em escolas públicas, tenham renda familiar per capita de até meio salário mínimo. As cotas raciais incidiriam sobre as duas metades, exigindo que parte das vagas fosse reservada para alunos negros e indígenas, de acordo com a representação racial de cada Estado - o que pode ir de 73% na Bahia a 9% em Santa Catarina.

Esse é o mesmo critério usado no ProUni. O programa destinou as vagas para estudantes de escolas públicas, de baixa renda, e reservou parte delas para negros e indígenas. Aprovado pelo Senado em junho de 2005, em votação simbólica, teve apenas três votos contrários. Demóstenes Torres foi um dos que votaram a favor. Questionado sobre isso, o senador demonstrou não lembrar desse detalhe.

Por mais que eu não admire o senador Demóstenes Torres, e que ele tenha entrado em contradição, pelo menos ele mudou de uma opinião preconceituosa para uma inteiramente correta e sensata. Espero verdadeiramente que esta seja a pauta mantida e confirmada no senado, para que todos, independente de cor ou raça, possam concorrer em igualdade como está previsto na nossa Constituição!!!

domingo, 15 de março de 2009

Morales repassa terra de ricos a pobres

 O presidente da Bolívia, Evo Morales, entregou a indígenas guaranis terras recém-confiscadas de cinco proprietários, em uma nova demonstração de força perante a oposição conservadora da rica região de Santa Cruz.

Os fazendeiros afetados pela medida, entre eles o norte-americano Ronald Larsen, não cumpriram com a ameaça de impedir a ação realizada no sábado, mas avaliavam a possibilidade de apelar à Justiça após a expropriação de suas terras sem indenização, admitiu o governo.

Protegido por uma forte mobilização militar e policial, conforme mostrou a tevê estatal em imagens ao vivo, Morales entregou os títulos de propriedade de pouco mais de 38.000 hectares a pequenos produtores e à comunidade guarani em conjunto em Alto Parapetí, na região de Santa Cruz.

"Hoje, aqui, estamos começando a por fim ao latifúndio na Bolívia", afirmou Morales no ato realizado a cerca de 800 quilômetros de La Paz. No mesmo lugar, há quase um ano, fazendeiros atacaram a balas técnicos agrícolas do governo.

Morales garantiu que a propriedade privada "sempre será respeitada", condicionando essa promessa, no caso das terras, ao cumprimento de uma nova Constituição indigenista e socialista que limita a propriedade agrícola a 5.000 hectares e obriga a cumprir objetivos econômicos e sociais.

"A propriedade privada será respeitada, mas também queremos que alguém que não quer igualdade mude de ideia, deve pensar mais na pátria do que no dinheiro", afirmou.

domingo, 8 de março de 2009

Demétrio Magnoli: sobre paz, guerra e cotas

Essa é uma entrevista concedida pelo sociólogo e geógrafo formado na USP Demetrio Magnoli, autor de livros como: História da Guerra e História da Paz.

O Café Colombo conversou com o sociólogo e geógrafo Demétrio Magnoli, organizador do livro recém lançado “História da Paz” (Editora Contexto). Ao programa, Magnoli analisa os tratados internacionais que dão origem a acordos de paz, o perigo do jihadismo islâmico e a política externa brasileira. O sociólogo critica a influência de Marco Aurélio Garcia nos assuntos internacionais do Brasil em relação à América Latina e fala do fator de perturbação no continente que é Hugo Chávez. Magnoli fala ainda da sua posição sobre a adoção de cotas raciais no Brasil, um dos assuntos que ele mais vem se dedicando a estudar.

Ouçam, é muito interessante!!!
Aí vai o link:


Crise, que crise?


Crise: uma palavra que causa arrepio as grandes empresas mundiais, aos governantes e principalmente aos trabalhadores. Entretanto, não é assim que ela tem sido vista pelos terceirizados e pelos prestadores de serviço, donos do novo perfil do mercado de trabalho.

Com a onda de demissões de empregados na indústria e na agricultura, são as companhias terceirizadas que ganham vez e atraem os olhos daqueles que pretendem se manter em alta, sem prejuízos, no cenário da economia global.Isso fica evidenciado num trecho da entrevista de José Pastore, professor especialista em relações de trabalho ao jornal O Globo:
" - Quando a economia for retomada, não serão repostas todas as vagas cortadas. Os quadros fixos das corporações devem diminuir, para conter custos."

Entre os setores que mais sofrem, se encontram o industrial e o financeiro, que teve um corte de 325 mil funcionários em um ano e meio. Em um futuro, nem tão distante, profissionais que lidam com sistemas de comunicação, engenheiros ligados à informática, assistentes sociais e trabalhadores ambientais, terão uma boa vantagem. Como comprova o professor da PUC José Marcio Camargo, em entrevista ao Globo:

" - Mudou o tipo de emprego, o futuro do mundo são os serviços, e o que aumentará a qualidade do emprego é a educação."